domingo, 10 de junho de 2012

ler ter ator há de corar são

Senhora, me diga...

estive pensando por horas
porque foi descer as escadas,
se tudo em mim selava as portas?
porque descer daquele jeito olhando
e calando na boca as palavras que iam sair?
na falta de respostas
fechei minhas mãos e bati em meu rosto
e, à falta de dor,
fiz o contrário:
abri meu coração em direção ao seu gosto

Li ter altura de cor ação

Intervalo

intentá-lo

inválido

inté(r)valho (atitu de meu coração)

inté orvalho (derramando no chão)

em temporal vamos sobrevivendo como sóbrias sombras breves vivem vendo hoje em dia

Entre vales

inventar-te

se ventar 

em mim (não se preocupe) eu não vou morrer tão cedo e nem vou correr de medo (porque)

gente da minha espécie

nasce, morre, cresce

sem entender direito

o jeito que o mundo tece as forças do viscejo

e eu vejo vida todos os dias do lado de dentro da janela do meu vilarejo

mas quando pass-ares por ela

olha demoradamente

porque a morada da gente

tem uma alegria daquelas de antigamente

como um sol de tarde e a meninada correndo e gritando e caindo e chorando / e o pessoal falando mal do alheio / do fulano que enricou e não veio / ver os velhos varrendo o passeio / e gostando muito de discutir o resultado de um jogo ou qualquer coisa boba que, hoje em dia... hoje em dia...ninguém dá mais ligança, mas a gente sabe que tudo era a mesma rua, a mesma turma comendo do mesmo prato e o "Paraná" passando quase caindo da cachaça que a mulher o deixou e ele só / queria ser melhor / mas não queria ficar só / e não sabia falar, só quando bebia e chorava e ia pra casa no fim da rua e o povo dizia: "Puxa, tá sofrendo de amor", mas hoje em dia... hoje em dia, não.


Líder atura descora tão

escrever-te (nem sei se você me lê)
e crer ver-te (mas você me evita enquanto meu coração verte uma lágrima aflita)
e se, ao vê-la, ele disparar (?)
será um pouco daquilo que so(u)a
se ar, louco e tranquilo vo(u)a
buscar um jeito de dar alívio a esse bicho
que mora dentro de mim
se(u)m dono se(u)m rumo se(u)m sono
seguindo só rindo sem nada saber
ou sabendo bem pouco
ou saberes bem loucos
ou errares por bem-quereres
(se eu pudesse saber a verdade...?)
o tempo inventa "a`s" vezes aquieta a batida discreta concreta de meu amigo (se ele é forte, esse bicho...
iludido
que exista
uma verdade
que exista
uma deidade
uma idade em sua pura vontade de querer ou a querência da volição queria caminhar de mãos dadas porque é tão difícil caminhar e dar as mãos?!?)
acho que tinha um pecado, um erro, um crime exigindo esse sacrífico, mas ele não aceita essa condição porque queria sangrar num dia de sol como uma alegria última para tudo que é vivo
feito um sentimento antigo
um sorriso de dentro no peito
se insinua lentamente-meio-desconfiado
se souberes o fundo
seus sabores do mundo
e tudo-nada pudesse sempre ter rido
ou se perdesse o sentido
sequer um rio
um rito
um sorriso bonito
ah, como eu te acredito!

Lideraduras-decoração

quiriaticutucá-quiriá...quiriatibatucá-quirida...querendo me deliciar com a vidaa diva a dívida e o mar queriadeitar a onda aonde minha vida ter-min'ar(porque prometi que não ia acabar agora:promessa é dívidapor mesa é devidapor essa vidavou me embrenhando entre cantos e brechas da suaquis mover a luase não vir-vier da cúpulaa culpa é toda cruaa luta é grandeo luto também)em nome do pai-da mãe-do filho que vem.Amem-Amém-Homem



Vídeo da Dança do Congo (resumo)


domingo, 20 de março de 2011

POEMAS VIII

Eu não sou pacífico
(mas apenas pra trocadilhar ou não)
por onde passo, fico
um pedaço de mim fica
minha boca (e sua língua) maldita
a-palavra-mal-dita-digo-não-dita
(dentro dos cânones)
pois há línguas que desconheço por sua linguagem
como linhas, links, linhares, linhagem com... começo(?)
Aqui já(z) seria um ótimo fim               (não fosse essa frase!)
terminar um poema com... começo (!) (fosse esse o caso!)
à moda da casa                                   (case essa crase!)
minhas asas não podem me levar         (face [a] essa crise!)
por isso passo fico                              (esfacelasse triste!)
e minto                                                     (cele esta cela!)
que não sou pacífico                                 (pele esfacela!)
oceanouuuuuu uou uou vuou                        (ele é belo!)
                             vou voou                         ela é dela
                                                                       la bella
                                                                       janela
                                                                         nela
                                                                      liberta
                                                            de todo e qualquer
                                                                    bem-me-queres
                                                                        mal-quereres
                                                viva o mundo(!) e todas as mulheres(!)
                                                todos os anjos
                                                se existissem esses seres
(e você também, Dionísio, que quis, mas não pôde estar presente).







POEMAS VII

Duvidei de mim e não acreditei que pudesse amanhecer um dia
um dia e outro com a noite no meio
NÃO!!!
Por que tão cedo Dionísio me assalta, invade meu(s) poema(s)?
Desta vez não!
Vou (irei) sério e triste e circunspecto e romântico e parnasiano (não, parnasiano não), reto e sóbrio e, naquele passo solene, como quem caminha para o fim sem acreditar que amanhecerá.
É que só a noite pode amanhecer!
O dia não amanhece, ele já está amanhecido 
e é por isso que quem quer saborear as coisas não gosta do dia, porque ele é amanhecido.
Já comeu pão amanhecido? Arroz amanhecido? Em cima do fogão, feijão amanhecido? Bife amanhecido na frigideira? Refrigerante amanhecido no fundo do copo?
Por isso o meio-dia é tão amanhecidamente insuportável, por ser o àpice do amanhecer (e é quando, de tanto amanhecer, o sol entra em declínio e inicia o desamanhecer pra chegar num fim de tarde BUNITO, enfeitado como só um fim de tarde ou o fim desta (daquela) folha, ah, Dionísio... você não me esquece, você sempre esteve aqui, como Rexona (não me abandona) e, de quebra, a indústria cultural a reboque.
Onde estão (os chatos) Horkheimer e Adorno quando se precisa deles?!?!??!!..................

Talvez remoendo seu mau humos em algum estado de não-ser.

POEMAS VI

Alguma dor chegando (alguma dúvida?)
Há muita flor no campo e a imbaúba

Em tantos céus e poços
porque o paraíso e o inferno não são nossos (?)
       Estranho é o pé batendo 
       enquanto tem gente cantando
       e alguma corrente correndo
          e alguma dor doendo
            num canto silente em destêrro
(não sei se escrevo certo  [mesmo(!)] ou se estive/estou enfêrmo!)
              Alguma voz no êrmo
           tem algo de paz
                algo de mais e de menos
                 como uma canção celeste
como o arreio a oeste      liberdade a leste
o jogo o fogo ao sul
(a rima) é Istambul         que fica algo a norte
é preciso ser forte (e) ter coragem de ser frágil
ser ágil pra saudar a vida no bom têrmo: a morte.


Eu mesmo te convido                 a viajar comigo
nesse jogo de palavras,              nave sem sentido
                                                 nada sem sentido
mas... e aquela prosa romântica a que me propunha (?)
Ficou na distãncia
naquela dor algum.

POEMAS V

Eu morro na curva do dia
e sonho à vontade, de dentro ninguém pode ver
sofro cada hora acorado num vaso
detento no jardim das materialidades
(e não era isso o que eu tinha a dizer,
o que agora me escapa
o escrito é a capa, é o véu, um negrume que esconde a luz,
mas nem isso é verdade
                     a metade
ou aquela vontade
a volição do começo
abolição, um trocadilho
              um torpedo
              um tropeço
              um ônibus sem amortecedores
              as ruas cheias de buracos
              o prefeito não está nem aí com os poetas passageiros
                                              (acho que é porque eles não ficam, apenas passam ligeiros)
              eu rio
                      Cuiabá me é desafio
                                      e pedágio)
Todo este poema é um defeito:
eu não queria a rima, ela veio;
não era pra ser o fim, mas acabou a linha (naquela folha barbiesca)
mas preciso... sei lá... morrer na curva do dia (?)

POEMAS IV

a sala era um deserto
eu fecho os olhos e, rápido, estou velho
tenho meus anéis e dedos e demência
na dose cera pra conter demônios, irritar meus anjos
confundir céu e inferno.
a calma, digo, o calmo azul do meu terno,
a rima me atrai como um inseto se enredando em tramas e teias (ia discorrer sobre um algoz longe, digo, distante e perto, digo, próximo, ...)
viu só como a rima me pega?!?
pronto! 
cheguei mais uma vez ao fim sem terminar nada,
sem, ao menos, saber do que (se) trata(m) este poema babel
e ainda
(após tantas inoportunas interrupções)
fico relendo e corrigindo meus erros e maculando e argh!
tudo termina neste já insuportável humor que me atormenta
a folha (que, diria, no original) barbiescamente ir

POEMAS III

HÁ UM ESPAÇO INTERNO ENTRE A BOCA E A PALAVRA QUE EU NÃO SEI ONDE ESTAVA,
PELO MENOS ATÉ ONTEM ERA O SILÊNCIO, ERA A PAUSA, O PIGARRO NA PLATÉIA OU MESMO UM ASSOBIO/VIO/VIL
"UM TREM PORCARIENTO FEITO CURVA DE RIO"
E ESTA FRASE NÃO É MINHA, MESMO AGORA SENDO
É UMA INTROMISSÃO TIPO FREUDIANA
COMO-ALGUÉM-AO-SEU-LADO-NOTANDO-LHE-A-GRIPE-SE-INVESTE-DE-PODERES-FARMACÊUTICOS-OU-FARMACOTERAPÊUTICOS-ESGANANDO MINHA INSPIRAÇÃO, ESTRAGANDO MEU POEMA,
COMO DIRIA O VULGO, EM SEU LINGUAJAR POÉTICO:
"NÃO SOU EU, SOU EU, ENFIM".

POEMAS II

essa tristeza doida doída e boba de não está bme sozinho de quem não está bem de quem não está de quem não de quem
......quem
está
.......bem
..............sozinho

POEMAS I

dizer-te o quanto amo
              guantânamo
não por seres o que 
                      quer 
                      que seja
porque o(s)eres
que por desventura estejam
mais
é que estares onde estás
em que pesem e mal-estares
ded um sonho anticapital
é o que mais pesa
é que uma baía não baiana
             abriga a briga
e a nossa briga, Cuba amiga
nos leva a declarar que na baía
há um pântano
                      mas também
um pan te amo
e um pâ ni co

terça-feira, 14 de julho de 2009

Dança do Congo do Quilombo Boa Vida - Mata Cavalo

O link relacionado levará a um site de armazenamento de dados, visto que este blog não comporta o arquivo inteiro (48 Mb), por sua capacidade (10 Mb).

Se quiser assistir ao vídeo resumido clique aqui

A fim de contextualizar e tornar mais palpável a pesquisa realizada sobre a Dança do Congo do Quilombo Boa Vida - Mata Cavalo, confeccionei este vídeo utilizando filmagens realizadas por mim e focalizando momentos e aspectos do desempenho dos dançantes que evidenciassem a falta de ensaios como a questão central em relação ao processo pedagógico e os problemas decorrentes. O material recolhido é farto e fui obrigado a fazer uso de uma pequena parte da rica e complexa manifestação artística.

Herman Hudson de Oliveira.

domingo, 12 de julho de 2009

Painéis Funarte de Bandas de Música

Secretaria de Estado de Cultural abre inscrições

para Painéis Funarte de Bandas de Música

Cuiabá recebe, entre os dias 22 e 26 de julho, a ediçao 2009 do Painéis Funarte de Bandas de Música. As inscrições estao abertas para os cursos de percussão, percepção e leitura musical, de instrumentação e arranjos musicais, de reparo e manutenção de instrumentos de sopro, de regência e técnica para instrumentos de sopro (bombardino e tuba, clarineta, saxofone, trombone e trompete). O evento acontecerá na Universidade Federal de Mato Grosso. Três cidades do país receberão os cursos entre os meses de junho e julho. As inscrições são gratuitas.

Com os Painéis de Bandas, a Funarte e o Ministério da Cultura, em parceria com a Secretaria de Cultura de Mato Grosso e a Universidade Federal de Mato Grosso buscam aprimorar, ampliar e atualizar o conhecimento de instrumentistas e regentes de bandas de música de todo o país, além de estimular a troca de experiências proporcionada pelos encontros. Os cursos têm duração de cinco dias e serão ministrados por profissionais de reconhecida competência, oriundos de diversos Estados.

Os Painéis Funarte de Bandas de Música fazem parte do Projeto Bandas de Música, que, criado em l976, vem atuando em diversas frentes, como levantamento e edição de partituras, distribuição gratuita de instrumentos de sopro e realização de cursos de reciclagem.

De 1986 a 1999 foram realizados 89 cursos, em 82 cidades, que atraíram cerca de 1500 participantes. De 2000 a 2008, mais de três mil pessoas participaram dos Painéis, que percorreram 16 cidades nos Estados de Alagoas, Amapá, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins. Este ano recebem o curso Mato Grosso, Roraima e Paraíba.

MAIS INFORMAÇÕES:

Local de inscrição:
Secretaria de Estado de Cultura
Av. Getúlio Vargas, 247 - Centro
78.005-600 - Cuiabá - MT

Contato: Tel.: (65) 3613-9203/3613-9204
Gerente de Música: Elaine Santos
elainesantos@cultura.mt.gov.br
elaine_producao@hotmail.com

Créditos: Naine Terena

Pauta Contemporânea

SESC realiza em Cuiabá
projeto na área de Música Contemporânea

O Departamento Nacional do SESC realizará o projeto Pauta Contemporânea na unidade do SESC Arsenal no período de 21 a 26 de Julho de 2009.

O projeto consistirá em possibilitar a conceituação, compreensão e experiência da Música Contemporânea através de oficinas que trabalharão o conjunto de suas técnicas de composição, performance e interpretação, junto ao seu público alvo.

Serão desenvolvidos, cursos teóricos e práticos abordando a técnica e a interpretação do violino e da viola, do violoncelo, da viola de arame, além de Regência, Prática de Conjunto e Composição Erudita, incluindo, também, discussões sobre Direitos Autorais, aspectos mercadológicos da Música Contemporânea Erudita e a profissão de compositor.

Ministrantes: Ernani Aguiar, Henrique Drach, Marcus Ferrer e Ricardo Meneses.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Projeto CIM - Construção de Instrumentos Musicais


CONSTRUÇÃO DE INSTRUMENTOS MUSICAIS
OUTRA VISÃO DO REFUGO







Herman Hudson de Oliveira







INTRODUÇÃO
A forma como lidamos com o lixo que produzimos, - seja a lata de cerveja, o pedaço de cano de PVC não aproveitado, balões de festa de aniversário enfim, tudo o que aqui será considerado como refugo - ainda padece do tratamento inadequado seja na origem, seja no destino final.
Esta atitude contrasta fortemente com a nova visão que tem se instalado nos mais diversos setores, ou seja, as suposições acerca da disponibilidade de nossos recursos - minerais, hidráulicos, energéticos, entre outros -, estão equivocadas, portanto é necessário e urgente readequar nossos usos, usufrutos e, obviamente, o destino que daremos aquilo que não usamos e/ou de que usufruímos.
Em outras palavras, a mudança de nossos hábitos subjaz a um novo pensamento, ou redirecionamento de nosso olhar sobre aquilo que cremos ser desprezível.
Nesse sentido os trabalhos que visam à redução, reutilização e reciclagem têm enorme importância não somente de forma direta[1], na medida em que ajudam, ainda que de forma incipiente, na minimização dos problemas em relação à quantidade e destino do “lixo” produzido em nossa sociedade, mas também contribuem com a reeducação do cidadão.

JUSTIFICATIVA
Atualmente em Cuiabá/Várzea Grande não há oferta de cursos ou mesmo de oficinas na área de construção de instrumentos musicais de nenhuma ordem (cordofones, membranofones, aerofones entre outros) e que contemplem aspectos ligados às questões ambientais.
No entanto, a ausência de tais cursos é estranha se tomarmos em conta que é da competência do fazer artístico (ou artesanal) da construção de instrumentos musicais o surgimento de um dos símbolos da cultura mato-grossense: a viola-de-cocho. Aliás, a não preservação de rios e matas tem comprometido o trabalho dos luthiers, requerendo que busquem alternativas na substituição de algumas madeiras tradicionalmente utilizadas na construção da viola-de-cocho.[2]
É óbvio que muitos fatores contribuíram e contribuem para que a luteraria de viola não seja disseminada e praticada com mais amplitude e que, caso não haja um trabalho sério, fundamentado e orientado no sentido de dar continuidade a esta tradição (e até renová-la. Por que não?), a viola-de-cocho, adufe e ganzá, inclusive, se tornarão peças de museu.
Não é menos óbvio que muitos fatores contribuíram e contribuem para a destruição do meio ambiente e que, caso não seja mudado este padrão de consumo e, através de ações diferenciadas e em diversos âmbitos, colocar em discussão questões ambientais de maneira séria, criativa, com a participação da comunidade jovem não apenas como receptora, também como criadora, em breve o meio ambiente, incluindo o ser humano, serão peças de museu.
Questiona-se a falta de interesse pelo jovem em dar continuidade às tradições ou de ter interesse por questões mais sérias. As razões apontadas provêm dos mais diferentes campos e, apesar de não serem excludentes ou mesmo de serem bastante verossímeis, na maior parte das vezes permanecem no campo teórico.
Por quê?
Sabendo que alguns dos traços mais característicos dos jovens são a contestação e a busca de identidade dentro de seu próprio grupo ainda se insiste em métodos ultrapassados, anacrônicos, cuja ineficácia reside justamente em seu conservadorismo, principalmente no que tange ao ensino das artes e dos fazeres que as cercam.
A abordagem tradicionalista dos cursos oferecidos não permite que hipóteses, experimentações, experiências e criação, tão importantes na formação do indivíduo, sejam levadas em consideração, reforçando um viés hierárquico na relação professor-aluno, como se o saber pertencesse ao primeiro, restando ao outro o papel de receptor.
Aplicações criativas e de criação musicais, visão crítica e um olhar que atente para as necessidades e vivências do aluno deveriam ser aspectos importantes em qualquer área de ensino, mas não são práticas corriqueiras, haja vista as limitações impostas pelas metodologias comumente adotadas.
Num universo onde a intercomunicação epistemológica e perceptiva não tem lugar, é muito provável que o indivíduo tenha uma formação incompleta[3], resultando em um ou dois dos personagens de Boécio (século VI), existentes na produção musical apontados por Tomás (2002).
Não é menos certo que a negligência com que se trata das questões ambientais e, no que concerne a este projeto, do lixo, tem resultados nefastos na sociedade não apenas do ponto de vista ecológico, mas social, de saúde, artístico, cultural enfim. Não há dúvida na urgência em discutir este assunto de maneira mais ampla, mais honesta e sempre que possível, fazendo links plausíveis e realizáveis, contextualizadores, atualizadores, rejuvenescedores.
APRESENTAÇÃO
O Projeto de Construção de Instrumentos Musicais tem como público alvo pessoas de ambos os sexos, a partir de 9 anos. O ponto de partida será a criação de situações que gerem problemas e dificuldades que serão superadas em ambiente adequado, de maneira individual e/ou coletiva, onde o professor sirva como referência em termos de mediação, orientação e consulta, haja vista que estaremos construindo conhecimento através da vivência e convivência, de maneira lúdica e criativa como bem salientou Zampronha (2002):
“Indo além da lógica do pensamento rotineiro, dominando procedimentos libertadores e otimizando funções cognitivas e criativas, a vivência musical que se pretende na educação não diz respeito exatamente ao exercício de obras caracterizadamente belas, assinaladamente bem feitas, mas sim a todas as que motivam o indivíduo a romper pensamentos prefixados, movendo-os à projeção de sentimentos, auxiliando-os no desenvolvimento e no equilíbrio de sua vida afetiva, intelectual e social, contribuindo para sua condição de ser pensante” (p.118).

Isto pressupõe interações de ordem afetiva, social, física e cognitiva. Suas implicações no aprendizado e desenvolvimento de acordo com Piaget e Vygotski[4] são de fundamental importância para a qualidade da aprendizagem, ou melhor, para que ela seja efetiva.
De acordo com a teoria de desenvolvimento de Piaget, os indivíduos complexificam suas ações na medida em que avançam em processos de maturação biológica, cognitiva, emocional, afetiva e social em suas experiências cotidianas, em contato com o meio, cuja interação, ao gerar constantes desequilíbrios e reequilíbrios, servirá de esteio para as diferentes etapas, de maneira não linear, mas sucessivamente.
Por outro lado as ações em diversas instâncias desenvolvidas ao redor e com o indivíduo são atualizadas e reconhecidas social e culturalmente quando possuidoras de marcas inteligíveis, ou melhor, ao serem eloqüentes, terem significado.
Isto, a que chamamos vivência, permite aos seres executar determinadas tarefas com maior ou menor precisão e requinte, por exemplo.
Neste sentido a vivência musical trazida por todos os envolvidos é o fator que tornará o fazer mais dinâmico e passível de lograr êxito, pois enfocaremos o aprendizado como vivência e não apenas como transmissão de conceitos. Outrossim, estabeleceremos o ponto de contato com a educação ambiental a partir da matéria-prima cuja transformação mercê da reutilização realizará a vivência.
O estímulo à cognição através do enfrentamento de problemas e conseqüente resolução nos levará a forjar conceitos junto aos alunos, construindo conhecimento em função de questionamentos, proposição de situações ideais e reais haja vista que nossa capacidade para conhecer e aprender resulta da interação de fatores internos (maturação biológica, psíquica, emocional, afetiva) e externos (meio social e físico) em contraste com nossa bagagem sócio-cultural.
Tão importante quanto as etapas de desenvolvimento, ligadas aos fatores citados acima, está a interação com o meio sócio-cultural em toda sua complexa diversidade, conforme Zampronha (2002), e a forma de transmissão e recepção, ou seja, a linguagem.
O indivíduo recebe e desenvolve em seu meio formas de comunicação pertinentes para que possa interagir, relacionar-se com seus pares, fruir, correlacionar situações e objetos no seu conhecimento e reconhecimento do mundo ao redor.
A forma como desenvolveremos os conceitos e as teorizações virão ao encontro das teorias de desenvolvimento no sentido daquilo que o aluno utiliza como linguagem musical e a própria linguagem que utilizaremos em todas as atividades propostas.
O projeto CIM (Construção de Instrumentos Musicais - outra visão do refugo) foi concebido tendo em vista as questões apontadas e será realizado em três etapas distintas, interligadas, independentes, pois podem ser executadas separadamente, mas sempre norteadas, ou melhor, permeadas pela ótica da educação ambiental, por um apelo social, através do fazer artístico de nosso povo e considerando as teorias apontadas.
A primeira etapa consiste na construção de instrumentos musicais de percussão, sopro e cordas utilizando como matéria prima resíduos sólidos inertes: refugos de canos de PVC; garrafas PET de 2 litros; refugos de madeireira e marcenarias; latas e galões de latão; caixotes de frutas; sandálias velhas de borracha; chaves inutilizadas, entre outros materiais que sejam sugeridos pelos alunos.
Este primeiro momento já inclui a segunda etapa que consiste no conhecimento e manuseio das ferramentas utilizadas na marcenaria e luteraria.
A luteraria é usualmente entendida como a arte de construir instrumentos musicais de cordas, porém em nosso projeto será entendida como o ofício de construir quaisquer instrumentos musicais.
Enquanto curso, a arte de construir instrumentos musicais figura como um dos mais envolventes, pois desperta o interesse dos alunos, aguçando sua curiosidade, principalmente porque sua prática se estende para além do espaço da sala de aula ou lugar onde é ministrado.
Nesse sentido é importante ressaltar que o presente projeto não pretende apontar uma solução permanente e milagrosa em relação aos problemas ambientais e educacionais – não é de sua competência -, mas ser um núcleo fomentador e instigador de questões e questionamentos a respeito do destino que damos aos resíduos sólidos inertes (tratados em geral como LIXO). Pretendemos sim, reorientar nosso olhar em pelo menos um aspecto de vital importância para nossa qualidade de vida e permanência neste planeta: a relação que estabelecemos com aquilo que produzimos.
Na etapa final teremos noções básicas de manuseio e execução dos instrumentos construídos utilizando, como fonte de estudos, gêneros nacionais e estrangeiros, como por exemplo: várias vertentes do samba; ijexá; tambor-de-crioula maranhense; maracatu pernambucano; siriri e cururu; baião; xote; reggae; blues; funk entre outros. Muito embora a criação individual e coletiva não sejam aspectos desprezados, pelo contrário cada prática pode e deve ser acompanhada de um momento criador/criativo.

OBJETIVOS GERAIS
· Dar alguma contribuição às discussões sobre educação ambiental
· Fazer uma reflexão junto aos alunos sobre a arte mato-grossense
· Contribuir com o fazer artístico-cultural mato-grossense
· Aguçar a curiosidade dos participantes sobre as possibilidades de reaproveitamento dos resíduos sólidos inertes
· Desenvolver e aprimorar coordenação motora e psicomotricidade dos participantes
· Realizar sensibilização musical

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
· Construir instrumentos musicais de percussão, cordas e sopro.
· Tocar os instrumentos produzidos
· Dominar algumas técnicas de luteraria
· Dominar algumas técnicas de execução dos instrumentos construídos
· Ter contato com alguns gêneros musicais
· Desenvolver sentido tímbrico
AVALIAÇÃO
Compreender as propostas de forma a executar ações pertinentes e refletir sobre as possibilidades materiais em termos funcionais e simbólicos.

BIBLIOGRAFIA

DAVIS, Claudia; OLIVEIRA, Zilma de Moraes Ramos de. Psicologia na Educação. São Paulo: Cortez, 1994.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia, saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1998.

GRAMANI, José Eduardo. Rítmica. São Paulo: Perspectiva, 1998.

HARNONCOURT, Nikolaus. O discurso dos sons, caminho para uma nova compreensão musical. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, 1988.

LIMA, Marisa Ramires Rosa de; FIGUEIREDO, Sergio. Exercícios de teoria musical. Uma abordagem prática. São Paulo: Artcromo, 1991.

MED, Bohumil. Teoria da Música. Brasília: Musimed, 1996.

OLIVEIRA PINTO, Tiago de. Som e música: Questões de uma Antropologia Sonora. In: Revista de Antropologia, São Paulo: USP, v.44, nº 1, 2001. pp.221-286.

PAREDES, Eugênia Coelho et al. Psicologia: fundamentos da teoria piagetiana. Cuiabá: UFMT, 1995.

REGO, Teresa Cristina. Vygotski, uma perspectiva histórico-cultural da educação. Petrópolis: Vozes, 1995.

SATO, Michele (Coord.). Sentidos Pantaneiros: Movimentos do Projeto Mimoso. 1ª ed. Cuiabá: KCM Ed., 2002.

SCHAFER, R. Murray. A afinação do mundo: uma exploração pioneira pela história passada e pelo atual estado do mais negligenciado aspecto do nosso ambiente: a paisagem sonora. Trad. Marisa Trench Fonterrada. São Paulo: Ed. UNESP, 2001. Título original: The Tuning of the World.

WISNIK, José Miguel. O som e o sentido. Uma outra história das músicas São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

ZAMPRONHA, Maria de Lourdes Sekeff. Da música, seus usos e recursos. São Paulo: Editora UNESP, 2002.


[1] É importante ressaltar que a reciclagem não é, nem de longe, o ponto mais importante da educação ambiental, pois consome energia não renovável, demanda utilização de produtos químicos. A reutilização, apesar de não apresentar resultados significativos, em muitos casos é uma opção melhor do que a reciclagem por não necessitar de muita energia para produção, tampouco demanda por produtos químicos e ainda tem a vantagem de servir como uma ferramenta útil e acessível nas ações de educação ambiental. Enfim, a redução desponta como a ferramenta mais eficiente, pois a mudar os padrões de consumo, utilização de embalagens, entre outros é o que pode realmente desonerar a natureza no início da cadeia produtiva e no destino final dos resíduos sólidos inertes.
[2] Tradicionalmente o sarã-de-leite tem sido utilizado na construção da viola-de-cocho, mas o assoreamento dos rios e a destruição da mata ciliar têm colocado em risco esta espécie forçando os luthiers a buscarem madeiras de porte no interior das matas. Entretanto este procedimento requer um necessário, porém não tão simples trâmite burocrático: autorização do IBAMA.
[3] É consenso entre os educadores que a formação do indivíduo deva prestigiar a maior quantidade de conhecimentos possível, abarcando os diferentes saberes. Vide LDB 9394/96.
[4] Conforme discussões e orientações levadas a cabo em sala de aula pela Professora Ms Daniela Zaneti, no curso de Educação Artística, disciplina de Psicologia da Educação, 2004.